Bissexualidade aos 30
Sexualidade é algo complicado. Os
desejos mudam, as vontades também. E às vezes mal conseguimos nos explicar o
que está acontecendo. O que a gente queria, não queremos mais. O que não
queríamos, agora queremos. São vontades insanas, intensas. O corpo pede e a
mente pensa: por que não? Aí cai a barreira de como nos vemos sexualmente, o
que temos construído e bem definido de orientação. Nos questionamos e aí
percebemos que não somos mais tão bem resolvidos como pensávamos.
Tenho 30 anos, um bom emprego,
duas graduações, cursando mestrado, totalmente independente. A minha orientação
sexual era bem definida pra mim desde os 18 anos: eu era gay. Foi um longo e
doloroso processo até eu me aceitar. Tanto internamente como pra todos que
estavam a minha volta.
Sim, antes de me assumir gay
namorei mulheres, transei com elas, e tudo foi indiscutivelmente muito bom. Mas
faltava algo que não me deixava ser completo. Eu sentia que tinha atração por
homens, mas me restava uma dúvida: eu ficava com mulheres porque realmente
sentia atração por elas; suprimia meu desejo pelos caras e não me aceitava, ou
porque ficar com elas era o que a sociedade esperava de mim?
Beijei um cara aos 18 anos e tudo
fez sentido. Eu tremi, meu coração bateu mais forte e senti uma emoção
impossível de descrever. Eu não tinha sentido nada parecido estando com uma
mulher. Então era isso, entendi que era gay. Sexualmente as mulheres passaram
não me interessar mais, mas me entender assim, não fez perder a admiração por
elas, da beleza, do cheiro, da graça que têm.
Até os 28 anos fiquei somente com
homens. Mas aí algo aconteceu. Em um final de semana, bebendo com uma
ex-namorada minha, ficamos várias vezes. Ela sabia que eu era gay e isso não
foi problema. Foi esporádico, sem programação e sem comprometimento. Mas
continuei a desejando, me imaginando com ela sexualmente, porque tudo foi incrível. Hoje ela namora, mas se me fizesse um convite apenas, apenas
um, não pensaria duas vezes em repetir aquele final de semana.
Desde então, passei ver as
mulheres de uma forma diferente. É como se aquele desejo por elas estivesse
adormecido por todo esse tempo. E não achei isso ruim. Mas o ponto era: e agora,
o que realmente sou? Um gay alternativo que fica com mulheres? Um cara
com sexualidade fluída? Bissexual?
Parece clichê dizer: "você
não precisa se encaixar em um rótulo, a sexualidade é assim mesmo, um
prisma". Não tem nada de errado em não se encaixar. Fiquei com outras
mulheres, mas sem chegar ao clímax sexual. Mas foi aí que que tive um insight:
"porra, como eu não pensei isso? Que sou um homem bissexual". Muita
coisa fez sentido.
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