Esteriótipo: encontro bi onde menos se espera
Os estereótipos são impressões, pré-conceitos e “rótulos”
criados de maneira generalizada e simplificada pelo senso comum. Então, um
homem ter trejeitos afeminados, traços de delicadeza e tudo mais que foge ao
padrão do que se espera de um 'macho' pode ser crucial para que seja tachado de
gay; porque é assim que a sociedade vê quem tem essas características. Isso
vale também pro hétero que não preenche esses requisitos e passa então ter a
virilidade questionada, pelos caras e as próprias mulheres. Pro bissexual, nem
sei explicar onde ele entra exatamente nisso.
O fato é que nem todo homem gay ou bissexual está dentro dos
estereótipos construídos até aqui, e a gente fica até abismado quando encontra
alguém que está fora dessa caixinha de características pré-determinadas. E para
surpresa de muitos (ou não) se pode encontrar eles em rumos ou profissões onde
menos se espera, caminhos que são vistos como 'coisa macho', de virilidade, de
testosterona pulsando. Algo do tipo, quem iria pensar? É...mas tem.
Pra se ter um exemplo, vivo em um estado cuja economia tem
pilar no agronegócio. Então, tem muito agrônomo, profissão vista como
"coisa de homem", lida bruta, porque tá ligada diretamente ao campo,
a terra, ao trabalho árduo de sol a sol. Mas em viagens principalmente no
interior já conheci muitos deles bissexuais, caras que não tem absolutamente
nenhum traço do estereótipo que se espera. Obviamente não assumidos pros
amigos, vivem a imagem do cara pegador, vão a bordéis, e dificilmente dizem não
a uma mulher com apelo sexual.
Em conversa com um deles, perguntei o que aconteceria se ele
assumisse a bissexualidade. A resposta foi rápida e certeira: "cairia em
descrédito, nenhum produtor rural ia confiar no que eu falasse
profissionalmente, porque um 'viadinho' não pode ser levado a sério, não dá pra
levar a sério. Isso se espalharia e no mais grave, seria difícil até conseguir
emprego. Se pro homem é difícil, imagina então pra uma mulher nesse ambiente
totalmente machista. A gente tem que andar conforme a música".
Por incrível que pareça essa realidade é mais comum do que
parece, pior ainda no interior. A mudança desse tipo de pensamento é lenta,
gradual, mas vejo que muita coisa mudou nos últimos anos, principalmente com as
novas gerações que têm mentes mais abertas. Mas o ideal ainda está longe.
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