O cara padrão ideal
"Ah, mas você só se interessa por padrão". Eu ouvi muito isso, mesmo antes de me entender bissexual. O que eu não entendia/entendo é/era porque o perfil de pessoa que me atrai é motivo de questionamento e invalidade do outro, às vezes dentro da própria comunidade LGBTQIA+. É o que me chama atenção, me desperta desejo. Só eu sei, porque só eu sinto o que sinto e ponto.
Entende-se por padrão basicamente o cara LGBTQIA+ que é visto como heteronormativo, que personifica o ideal de homem perfeito aos olhos da sociedade: jovem, bonito, malhado, viril, geralmente branco e bem sucedido academicamente e profissionalmente. O "príncipe encantado".
Aí vem o questionamento: por que só interessa esse perfil de homem se há tantos outros perfis que podem ser conhecidos e explorados? O argumento é de que gosto é construído, porque somos minados com esses ideais de cara perfeito desde muito cedo, pela nossa experiência de vida, pela sociedade.
O fato é, ao meu ver, que esse discurso vem justamente de quem é visto como não dentro do padrão. Não vem do próprio cara padrão, cuja mudança de atitude seria a mais interessante pra reverter esse cenário. O que percebo é que quem está externo ao círculo de ideal também quer o cara padrão, mas não quer ser como ele; então é mais fácil o outro mudar.
Não defendo o padrão, defendo a atração livre, sexualidade fluída e o desejo de cada um, mas se há o discurso de que o cara padrão precisa deixar de ser o ideal de referência, acredito que a mudança também deve partir de quem levanta essa pauta. Por que não dar uma chance também para outro não padrão?
"Ah, mas vamos reforçar aqui: gosto é construído". Pode até ser, mas pra mim não tem como ir contra o que o corpo fala. Ele apenas responde ao que se vê, se sente, ao que desperta atração, desejo. Essas reações não discutem entre si o que é padronizado ou não, são inatas, só sentidas.
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