O cara bi: a pressão estética também recai

Seguinte: eu já disse aqui que pra mim não existe pessoa feita ou bonita, e sim quem me atrai e quem não me atrai, porque outro alguém pode se interessar por  quem não me chama atenção e vice-versa. Acontece que nem todo mundo pensa dessa forma e se pensa, é muito raro, raro mesmo. É, não tem como fugir, a pressão estética para o homem tanto no mundo hétero como no LGBTQIA+ é  grande, neste último até arrisco dizer muito mais.

Da perspectiva de um homem bissexual, sinto que existe sim a pressão no mundo hétero pela  aparência do cara, mas não vejo ser elevada a um nível surreal. Se cuide um pouco, tenha barba feita, uma roupa bacana (não necessariamente cara), faça uns exercícios pra se manter em movimento (mas não tem problema ter uma barriguinha), tenha um bom papo e pronto, tá tudo certo. A impressão que tenho é que as mulheres não ligam muito pra isso, de você ter uma beleza descomunal, um corpo extremamente malhado...meio que a maioria delas admira, acha lindo, mas foge de mens assim geralmente. Claro, não é regra.

Agora no mundo LGBTQIA+ a coisa  tem outro nível, aí sim digo com toda propriedade, S-U-R-R-E-A-L. Pra começo de conversa o ideal é que o cara seja malhado, mas não só malhado grande, tem que ser definido; se tiver barba é bom, mas de preferência não com muitos pelos no corpo, só o suficiente pra parecer viril; e por falar nisso a voz tem que ser grossa e não pode ser afeminado, não ter nenhum trejeito. Fora isso, tem que ser dotado, do que você está pensando mesmo e também das carreiras profissional e acadêmica (não pode ser ou parecer pouco inteligente); tem que ser bem sucedido. Sobretudo, tem que manter toda essa aparência física e esse estilo de vida.

Nós não vamos mudar todas essas perspectivas de uma hora pra outra porque esses ideais foram construídos, herdados e alterados em contextos sociais e culturais diferentes até os dias de hoje. Mais a frente pode ser que mudem ou não, a história funciona assim. A questão é: como a gente lida com isso? De que lado que a gente tá dentro desses gatilhos de imagem, beleza, expectativa do que cobram e esperam? Pensar diferente não nos faz superior, mas o que nos faz bem?

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