Os caras do futebol
Se tem algo que eu gosto é sair com a rapaziada pra um futebol, tomar uma breja e falar besteira. É o que todo cara gosta, ou quase todos, além de sexo e mulher; homem também se for bi (risos). Não dá pra negar que existe um ambiente de autoafirmação da masculinidade e da virilidade nessa partida. E os caras se sentem confortáveis com isso.
Mas o que a gente não diz e tenta não deixar transparecer é que sim, nos admiramos uns aos outros. É, temos a masculinidade frágil pra admitir. Mesmo pra mim, bissexual, por causa desse ambiente cheio de testosterona e autoafirmação, também é difícil, não permitido; porque se for feito, não sou visto mais como um dos pares. É um dilema. Aquela sensação de meio pertencimento e invalidade.
Sim, os caras admiram o parceiro que é bonito, o que tem estilo, o que se veste bem, o que dança bem, o que é bem articulado, o que se dá bem com as mulheres (e com os homens se for bi). A gente admira sim quando o parceiro é bem sucedido, e ainda mais quando ele partilha o conhecimento que tem. Mas isso tudo em silêncio. Às vezes saí um "boa pinta", "presença", "responsa", e não passa muito disso.
O que percebo é que boa parte dos caras estão amarrados ao machismo, às vezes vindo até de mulheres que podem os invalidar quanto a virilidade e masculinidade; e pra eles isso é inadmissível. Daí seguem assim, uns suprimem vontades e desejos, e outros são reféns do silêncio.
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