Preciso me "assumir" bi pra todo mundo?
Há uns dias li um depoimento de um cara, no qual relatava as primeiras experiências bissexuais dele. Tinha namorada, morava no Brasil, ambos viajaram para países diferentes, a relação a distância não deu certo. Sozinho e longe de casa, foi aí que se permitiu realizar uma vontade, um desejo da atração que sentia, mas que o dava medo e por isso reprimia: ficar com um homem.
Nosso "amigo" conta que encontrou o primeiro cara em um aplicativo, que vocês já sabem qual, e se permitiu. Sem meias palavras relata: "sim, beijei um cara, chupei p** e dei o c*." Foi assim que se descobriu bissexual. Rolou então de querer saber como seria uma abordagem na real, fora da rede, e foi a guetos gays: não se identificou. Pairou aquele sentimento de não pertencimento (me identifiquei).
Por fim, o cara revela que ainda sim gosta mais de mulher, das curvas, do sorriso, a pele sedosa, do cheiro, e melhor ainda se tiver nua na frente e doida pra d** pra ele. A vida com imagem de "hétero" o deixa seguro e confortável, livre de julgamentos e por isso, não vê motivos para contar as todos o desejo que também sente por homens.
Esse relato me deixou pensativo. A gente deve mesmo contar pra todo mundo a nossa orientação sexual? Um cara gay que fiquei (se ele não falar que é gay todos acham que é hétero) me disse o seguinte: "eu não tenho porquê falar, é minha vida, só diz respeito a mim. Se me perguntam, eu respondo com outra pergunta: o que saber sobre minha orientação vai mudar na sua vida?". Faz sentido também.
Tenho coerência que falar abertamente sobre a orientação sexual se torna um símbolo de luta pela visibilidade e diversidade. É mais um passo por reconhecimento e espaço. Mas o que vem primeiro: nossa vida particular, nosso eu, nossos desejos e vontades; ou algo maior? Quem é prioridade de quem ou o que?
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